quarta-feira, 24 de março de 2010

SALÁRIOS EM DIA - SEGREDO DE SUCESSO PARA O MAC!

Hoje comentarei um aspecto muito importante relacionado a uma grande falha praticada no nosso Marília Atlético Clube desde 2007: O GRANDE PREJUÍZO DO PAGAMENTO DE SALÁRIO EM ATRASO.

Especialistas na área de recursos humanos afirmam que o salário pago em dia, a expectativa futura de que os salários serão pagos em dia e que a organização ofereça horizontes de crescimento para seus empregados, tende a ser uma organização promissora, favorece ambiente saudável, comprometimento de seus empregados à organização e traz resultados positivos.

Tive uma experiência árdua anos atrás em trabalhar numa empresa onde os salários dos empregados, inclusive o meu, começaram a ser pagos em atraso, de forma parcelada e em dia incerto, e ainda, empregados sendo demitidos sem o recebimento das verbas rescisórias e indenizatórias. Era visível o descontentamento de todos, o ambiente fica pesado, desanimado. O empenho e comprometimento com a empresa ficam a Deus dará. Os problemas familiares dos empregados tende a abalar quando estes chegam ao seu lar e diante da sua família de mãos abanando. Destrói sonhos, causa desconforto emocional e social, tristeza e angústia, mexe com a dignidade, a hombridade, o brio e a reputação do trabalhador, pois as vezes, este não consegue assumir suas dívidas e seu nome vai parar no SPC e SERASA.

No âmbito das leis trabalhistas, prega o art. 2º, da CLT, que os riscos econômicos do negócio são assumidos exclusivamente pelo empregador, não podendo ser transferido ou compartilhado ao empregado. Exemplo: o empregado não pode deixar de receber seu salário em razão de dificuldades financeiras da empresa.

Cabe destacar o principio constitucional do valor social do trabalho, previstos no art. 1o, IV e art. 170, caput e inciso VIII da Lei Maior de 1988. Reflete uma natural e profunda preocupação com o trabalho e a pessoa humana, isso porque o trabalho é o maior de todos os fatores de produção da sociedade e o ser humano, fonte de todos os valores. A cidadania é construída pelo trabalho, por sua vez, dá ao homem sua dignidade, o que torna inseparáveis do ser humano. Por esta razão, podemos afirmar então que uma empresa que emprega tem de ter uma finalidade social.

Dentro deste contexto, vale lembrar que a organização deve prezar pelo tratamento isonômico (igual) e salário justo entre seus empregados. Também, é nítido e natural do trabalhador, diante da sua relação de trabalho, almejar salário, no ditame popular, o seu ca$scalho entrando no seu bolso e, o dono do negócio que toma seu serviço, o lucro.

Diante do exposto até aqui, infelizmente é a situação que atravessa o nosso Marília Atlético Clube desde 2007. Os resultados mostram tudo isso: um acesso frustrado para Série A em 2007, briga pelo rebaixamento no paulistão 2008, 2 rebaixamentos seguidos na Série B 2008 e Paulistão 2009, acesso a Série B fracassada em 2009 e briga pelo rebaixamento na Série A3 do paulistão em 2010.

Desde o fim de 2007 não inúmeros noticiários de atraso de salário no MAC, bem como, várias ações judiciais cobrando o salários não pagos por parte de jogadores, comissão técnica e demais empregados que já saíram do clube.

Isto é suficiente para inibir e despertar desconfiança do jogador quando assina contrato de trabalho com o MAC, em outras palavras, fica com um pé atras. Embora nosso ilustre guerreiro Jorge Rauli tenha afirmado que foi combinado com os jogadores que os salários de determinado mês são pagos em duas parcelas no mês subseqüente, mas acaba resultando no insucesso. O salário, por força do art. 459, da CLT, deve ser estipulado no máximo por um mês e pago até o 5º dia útil do mês subseqüente.

Vale destacar que o MAC não tem oferecido segurança e certeza de pagamento de salários em dia nestes últimos anos devido a caótica administração de nossos dirigentes e investidores.

Ouvindo esta entrevista do grande repórter Ed Nelson na Rádio Dirceu de Marília, retrata muito bem esta situação que repercute na vida de um jogador: http://www.diariodemarilia.com.br/Noticias/80749/Aps-segunda-vitria-consecutiva-jogadores-disparam-contra-diretoria

Outro detalhe negativo dentro do MAC é que alguns jogadores tem salário maior e são pagos diretamente pelo empresário. Isto certamente causa sentimento de tratamento desigual, inveja e repúdio pelos demais jogadores frente ao jogador privilegiado. É comportamento natural do ser humano!

O ideal é que o clube preze pela isonomia (igualdade) salarial e oportunidade dos jogadores e demais empregados. As vezes tem jogador com maior currículo e tempo de emprego no clube, até aí tudo bem, mas que não seja uma diferença salarial expressiva. Se o empresário paga o salário do jogador, que o clube e este empresário façam com que os demais tenham o mesmo privilégio.

Lembro-me de uma vez, no início de 2007, que o Cai-Cai trouxe o Basílio de volta ao MAC para disputa do Paulistão daquele ano, pagando um salário em torno de 30 mil reais, bem acima dos demais, da qual não passava de 20 mil reais. Embora fosse bem intencionado em presentear o torcedor Maqueano, mas acabou sendo desastroso para o elenco e, principalmente, para o Marília Atlético Clube, era visível o racha e o descontentamento entre os jogadores, da qual resultou numa campanha medíocre. Isto porque tínhamos Fabiano Gadelha, Amorin, Gum, etc.

De outro lado, cabe enfatizar também, em conversas com amigos moranguinhos-noroestinos de balru, houve comodismo de jogadores que recebiam em dia e tinham toda a estrutura financeira adequada, da qual resultou em acessos frustrados na Série C do Brasileiro até mesmo ficarem sem divisão (hahaha). Brincadeiras a parte, mas se pagam em dia e o clube cumpre todas as suas obrigações em relação aos jogadores, dirigentes e torcida têm moral e autonomia para cobrar resultados positivos em favor do clube.

Voltando ao presente, na carta-resposta do Sr. José Roberto Duarte de Mayo, publicado no dia 13 de março de 2010 no Jornal Diário afirma que a culpa do insucesso desta Série A2 do Paulista é o campo técnico. Mas, jamais ele irá assumir que por trás disso há uma deficiência administrativa, oriundo da sua insuficiência de captação de recursos no meio empresarial da cidade e falta de transparência financeira na gestão do clube.

Nesta Série A2, mesmo que o salários dos jogadores estão abaixo da média de outros clubes, se fossem pagos no dia adequado e fosse oferecido segurança no recebimento dos salários futuros não estaríamos nesta penúria de brigar pelo rebaixamento. Tenho certeza disso. O Monte Azul, ano passado, subiu para elite com uma folha mensal de 60 mil reais.

Sendo assim, eis umas das razões que nós torcedores tem pedido a saída do presidente Beto Mayo. Não temos respaldo que este aspecto negativo (atraso de salário) vai mudar no nosso Marília Atlético Clube. Fala-se em somar esforços, mas, sequer dá ouvidos a nós torcedores e sequer abre oportunidade para transparecer o que se passa lá dentro do MAC.

Seja qual for o caminho administrativo do MAC, espero que leiam estes dizeres e reflitam e trabalham para que dias melhores aconteça no nosso clube do coração.

Abraços

Crisão

Um comentário:

Eduardo disse...

Parabéns péla postagem , Crisão ... todos queremos um clube sério , cumpridor das suas obrigações , respeitador do ser humano , do torcedor e dos princípios éticos mínimos. Muito precisa ser feito , o que ocorre dentro de campo é puro reflexo do total descaso extra campo .